Pai é um negócio meio fora da moda. A masculinidade, de um modo em geral, está démodé. Só se fala em “masculinidade tóxica”, negligenciando a masculinidade parental. Pai ter famílias virou xingamento.
Mesmo assim, eu gostaria de homenagear os pais no dia 10 de agosto de 2025 na figura do Rubén, meu pai, e do Ramiro, meu filho que virou pai, seguindo o nosso exemplo.
Algumas das lembranças mais gratas que eu tenho do Rubén são dos passeios que muitas vezes dávamos no verão, depois da janta, em Tuparendi. De vez em quando, saíamos caminhando à toa pelas ruas de Tuparendi. Apenas para espairecer e espichar as pernas. Andávamos para lá e para cá, com e sem rumo.
Ele tinha o hábito de apoiar sua mão no meu ombro. Por vezes, a mão pesava. Mas eu não me importava. Aquela mãozorra transmitia uma sensação de segurança, uma paz. Além disso, dava estabilidade naquele calçamento todo irregular, todo desnivelado dos velhos tempos de Tuparendi. Essa mesma sensação de paz e segurança me invade quando vejo o Ramiro cuidando e brincando com a Cecília. Fico com a sensação de alguma coisa certo fizemos para que a Cecília possa ter a mesma segurança.
Nesse exato momento, fico também me lembrando de umas idéias que o Prof. Ernst Pöppel não cansava de repetir. O Pöppel servira na Marinha de Guerra. Frequentemente, o Pöppel falava assim:
Vocês pensam que eu não faço nada né? Ledo engano de vocês. Eu só fico zanzando por aí, de um lado para outro do Instituto e, aparentemente, não faço nada. Mas só aparentemente. Eu sou que nem o capitão do navio. Aparentemente não faço nada. Mas observo tudo, sei fazer tudo e estou sempre pronto para intervir.
Pai é que nem o capitão do navio. Parece não servir para muita coisa. Mas, ao menos, está ali. Pronto para intervir.