Lia Constantino Criscoullo
Maio de 2026
No quarto ano, muitos alunos começam a achar que matemática é uma tarefa difícil. Mas o que diferencia aqueles que vão bem dos que têm mais dificuldades?
Um estudo realizado em 2024, com dados de mais de 32 mil estudantes de oito países, investigou exatamente isso. A pesquisa foi conduzida pela doutora Isabelle Chang, da Temple University, e seu objetivo era entender quais fatores impactam o desempenho em matemática e como esses fatores se conectam.
O primeiro achado surpreende. O fator que mais influenciou o desempenho dos estudantes não foi a habilidade matemática em si, nem mesmo a leitura. O que mais pesou foi a confiança da criança nas próprias habilidades matemáticas. Ou seja, a maneira como a criança percebe sua capacidade de lidar com os desafios matemáticos foi mais importante do que qualquer habilidade mensurada no estudo. No entanto, essa confiança não é algo que vem de elogios vazios, mas sim de experiências reais de sucesso. Quando a criança consegue entender e resolver problemas, ela constrói essa confiança na prática.
O segundo achado é ainda mais interessante. Para as crianças com baixa habilidade de leitura, a numeracia teve um efeito mais forte sobre o desempenho em matemática. Já para as crianças com alta literacia, esse efeito foi menor. Isso acontece porque a criança que lê bem consegue usar a linguagem a seu favor para resolver problemas matemáticos. Ela interpreta enunciados de forma mais precisa, acessa diferentes estratégias para resolver as questões e processa melhor as instruções do problema. Já a criança com baixa habilidade de leitura acaba dependendo apenas do conhecimento numérico, o que limita sua capacidade de resolver os problemas.
É importante perceber que a leitura vai muito além das aulas de português. Ela desempenha um papel fundamental na matemática, já que muitos dos problemas encontrados no quarto ano são compostos por texto escrito. Portanto, ler bem não só ajuda nas atividades de leitura e interpretação, mas também é essencial para a resolução de problemas matemáticos.
A mensagem prática aqui é clara: brincar com números desde cedo ajuda a formar uma boa base para a matemática. Além disso, estimular a leitura, contar histórias e conversar sobre livros tem o mesmo efeito. Essas duas atividades, leitura e números, andam juntas, contribuindo para o desenvolvimento das habilidades cognitivas das crianças de maneira complementar.
É exatamente isso que a Biblioteca Mágica busca fazer. Ao integrar a literacia e a numeracia em uma estrutura narrativa, ela ajuda as crianças a aprenderem de forma lúdica, enquanto desenvolvem suas habilidades de leitura e matemática. Com a Biblioteca Mágica, cada história é uma oportunidade para a criança explorar números, palavras e situações cotidianas de forma divertida e envolvente, criando uma base sólida para o aprendizado de conteúdos mais complexos no futuro.
Referência: Chang, I. (2023). Early numeracy and literacy skills and their influences on fourth-grade mathematics achievement: a moderated mediation model. Large-scale Assessments in Education, 11(1), 18.