Elisa Braz Cota Fernades
Instituto Letra & Número
Abril de 2026
No início do desenvolvimento, muitas crianças “sabem contar”. Elas recitam a sequência numérica — “um, dois, três, quatro…” — com fluidez e apontam para os objetos como se estivessem realizando a tarefa corretamente. No entanto, esse comportamento pode enganar. Nessa fase, a contagem costuma funcionar como uma rotina mecânica, semelhante a cantar uma música ou recitar o alfabeto (Freitas et al., 2021, Fritz et al., 2013, Balt et al., 2019). A criança domina o procedimento, mas ainda não compreende o conceito de quantidade (Clements & Sarama, 2009).
Isso fica evidente em uma situação muito comum. Após contar um conjunto de objetos, quando o adulto pergunta “quantos são?”, a criança frequentemente não responde com um número. Em vez disso, ela recomeça a contagem desde o início. Isso acontece porque ela interpreta a pergunta como um pedido para executar novamente a ação de contar, e não como uma solicitação de informação sobre a quantidade total (Freitas et al., 2022, Fritz et al., 2013, Balt et al., 2019). Há, portanto, uma dissociação entre o saber fazer e o saber o que aquilo significa. A Figura 01 ilustra essa situação.
Figura 01: Contagem sem a compreensão do princípio da cardinalidade