O neuropsicólogo precisa conhecer a epidemiologia clínica das doenças neurológicas e dos transtornos psiquiátricos. Precisa ter um amplo conhecimento sobre a definição, sintomas, critérios diagnósticos, fisiopatologia, prevalência, incidência, história natural, impacto biopsicossocial, história natural, resposta ao tratamento etc. das diversas condições de saúde com as quais trabalha.
O neuropsicólogo precisa ter um bom conhecimento da fenomenologia dos sintomas neuropsicológicos e psiquiátricos. Precisa ter capacidade de reconstruir a experiência subjetiva do paciente. Isso requer uma boa dose de teoria da mente de primeiro grau para ler a mente alheia. Antigamente, se falava em transferência e contratransferência. O diagnóstico é feito pela contratransferência. Ou seja, por aquilo que o clínico sente ao ouvir o paciente. Mas o clínico precisa ouvir a história do paciente e saber reconstruí-la de forma narrativa para que faça sentido. O diagnóstico jamais é feito por uma checklist de sintomas. As listas de sintomas constituem apenas critérios que se pretendem objetivos. O diagnóstico é feito quando o clínico experiencia o drama do cliente. Sem drama não tem sintoma. Sem drama tudo se esvazia de significado e se reduz a escores de testes ou de exames laboratoriais.
A correlação anátomo-clínica ou estrutura-função é o método da neuropsicologia. Não existe neuropsicologia sem localizacionismo, sem diagnóstico topográfico, sem correlação estrutura-função. O exercício da neuropsicologia consiste em inferir sobre a integridade anátomo-funcional de sistemas neurais a partir da observação sistemática do comportamento. O diagnóstico topográfico pode ser feito macroscopicamente usando um sistema de três eixos (látero-lateral, ântero-posterior, vertical) ou cinco dimensões (látero-lateral, ântero-posterior, vertical, dorsal-ventral, medial-lateral) de localização cerebral. O diagnóstico topográfico também pode ser feito no nível genético-molecular ou, ainda, através de modelos cognitivos.
Sem fenomenologia, narrativa e teoria da mente de segunda ordem, a neuropsicologia perde seu rumo. São esses os alicerces que a conectam à experiência humana e à possibilidade de cuidado verdadeiro.
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